quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

UM AUTÊNTICO CAPITÃO






Steven Gerrard é um fora de série. Pode atuar como volante pela direita, pela esquerda ou pelo meio. Tem jogado mais adiantado, mais perto da área, como um 10. Gerrard tem um bom passe, ótimo chute de longa e média distância. Drible ele não arrisca muito e utiliza apenas como recurso. O fundamento cabeceio é pouco usado, entretanto, o número de gols de cabeça tem aumentado muito. Ele não pára por aí. A maior característica dele é a liderança. A história dele com o Liverpool, atual líder do campeonato inglês, tem traços fortes escritos com muito suor, lágrimas, alegrias e até tragédias. Com ele o Liverpool conquistou a Liga dos Campeões de 2005, contra o Milan. Ele também esteve na final do Mundial de Clubes no Japão, contra o São Paulo. Bateu diversas vezes para o gol e não conseguiu bater Rogério Ceni. Ao final da partida chorou no centro do campo. O momento mais forte de Gerrard com a história Red foi quando a família recebeu a notícia de que o primo dele estava entre os 96 torcedores mortos esmagados e pisoteados em uma final da Liga Inglesa. Uma briga em um bar manchou a história do capitão. Se Gerrard foi culpado ou se foi envolvido no episódio o tempo vai tentar explicar, o tempo só não vai apagar a imagem do astro preso por quase um dia. Quando Steve G (apelido carinhoso dado a ele) saiu da cadeia, o Liverpool manifestou todo apoio a ele e o técnico Rafa Benitez afirmou que ele seria o capitão da equipe no confronto do fim de semana. Ele foi a campo. O adversário era o modesto Preston. Seria a grande chance de virar a página, apagar a imagem arranhada e devolver a Gerrard a imagem de herói com a possibilidade de marcar gols e mais gols. Bola rolando e ficou muito claro que todos os jogadores continuavam apoiando e incentivando o capitão. No finzinho da partida aconteceu o lance que poderia “reconsagrar” o dono da camisa 8. Gerrard, esbanjando preparo físico, saiu em alta velocidade em um contra ataque aos 45 do segundo tempo. Correu do meio campo até a entrada da pequena área. Era só bater para o gol e sair como herói. Herói? Ele preferiu ser líder! Ao perceber que o companheiro Fernando Torres, que voltava de contusão, estava bem posicionado, Gerrard apenas rolou para que o artilheiro se consagrasse e marcasse o segundo gol da vitória. Gerrard não saiu como herói. Saiu como líder. A opção de rolar a bola para o companheiro apenas mostrou que mais vale o conteúdo, mais vale a história. Todos no grupo sabem que podem contar com o líder. Aquele que pensa mais no todo. Aquele que pensa menos na glória pessoal. Steven Gerrard é um fora de série.

ATAQUE FORTE




É verdade que a ausência de um atacante de área no ano passado fez falta. A efetivação de Guilherme como homem de área deu bons resultados, entretanto, o jovem atacante se desdobrava e ainda assim deixou a sensação de que se o Cruzeiro tivesse um especialista o resultado poderia ser melhor. O ano mudou e o Clube trouxe vários jogadores para a função. Wellington Paulista, Soares, Alessandro e Jael vão vestir azul. Seria uma ameaça ao jovem Guilherme? Prefiro avaliar de outra forma. Todos juntos estarão a serviço do clube. É elenco. Jael pode ser opção nas jogadas de bola aérea. Alessandro abre o jogo pelas duas pontas em velocidade. Soares é da confiança do treinador e Wellington Paulista foi o artilheiro do Carioca 2008. Opções! Vale lembrar que no ano passado o Cruzeiro teve boa campanha, em 2009 pode ser melhor.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ROGÉRIO, MURICY, HERNANES...

Assim que terminou o Brasileiro de 2003 todos, mais que depressa, apontaram Wanderley Luxemburgo e Alex como os símbolos da conquista cruzeirense. Um ano depois Luxemburgo brilhou de novo, no Santos. 2005 foi o ano de Teves e Nilmar. Muitos ainda apontaram a misteriosa MSI como a responsável pelo título do Timão. Em 2006 entrou em cena uma outra situação. Os personagens isolados e os heróis deram espaço ao coletivo. A estrutura sai do papel e passa a definir as partidas. O São Paulo está inserido no mesmo contexto dos demais clubes, entretanto, encara o futebol de forma bem diferente dos outros. O tricolor falha, erra, contrata e vende, contudo, a contabilidade final apresenta títulos e maior apoio dos patrocinadores para um novo ano – que pode ser de vitórias e mais patrocínios. Aponte um nome para identificar as conquistas? Rogério? Não seria injustiça com o Muricy? Apontar um único nome é elevar a chance de erro. A filosofia profissional do São Paulo é a grande resposta para os muitos questionamentos. A estrutura que dá liberdade ao Milton Cruz para aprovar uma contratação. A filosofia que mantém um treinador mesmo após perder a Libertadores. A mesma filosofia que segura um goleiro por tanto tempo e faz dele um ícone para as novas contratações e para os meninos formados no clube. A estrutura que permite ir ao mercado e buscar Joílson e Juninho que haviam se destacado no Botafogo. Éder Luis que se destacara no Atlético, Anderson que estava na França, etc. Quando se fala que o São Paulo foi o campeão não é para os clubes torcerem o nariz. É para copiarem o que pode ser copiado. É para adaptarem a filosofia e para caminharem em busca da estrutura. O tricolor é o que é por ler o que assina. Por pensar antes de falar. Por tratar com zelo o patrimônio. É claro que existem erros. Entretanto, os acertos ganham com folga.
HERNANES
O meio-campista Hernanes é o que chamamos de jogador diferenciado. Como volante ele é eficiente. Rouba a bola, destrói as jogadas do adversário e se transforma em um meia. Como meia ele é igualmente eficiente. Parte em direção ao gol. Tem passadas largas e boa visão periférica. Perto da área ele bate forte e bem colocado. Hernanes não pode ser encaixado em uma única posição. Ele é versátil. Sem perder de vista a marcação, o volante/meia tem uma movimentação inteligente. Você já percebeu o tanto de vezes que a bola sobra para ele? Alguns diriam que é sorte, outros sabem que é fruto de treinamento e visão privilegiada de jogo. Ele está no lugar certo e na hora certa. Entretanto, Hernanes pode ser colocado como o grande responsável por mais título brasileiro? Não! Hernanes teve que se ausentar por um bom período, para servir à seleção brasileira nas Olimpíadas. Ele foi muito importante. Foi essencial. Ele, Rogério, Borges, Jean, Dagoberto, Hugo, André Dias, Miranda, Jorge Wagner, Zé Luis e todos os outros foram também essenciais. Mais do que em outros tempos o São Paulo foi campeão e não um grupo de jogadores foi campeão.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

SELEÇÃO DO CAMPEONATO

Recebi a cédula para eleição da seleção do campeonato. Já encaminhei.
Se errei, azar. Já mandei!
Lá vai:
Victor – Grê
Vitor – Go
André Dias – SP
Miranda – SP
Leandro – Pal
Marquinhos Paraná – Cru
Hernanes – SP
Ramires – Cru
Alex – Int
Guilherme – Cru
Kleber Pereira – San

O craque foi Hernanes. A revelação foi Keirrison, Coxa Branca.
O técnico foi Muricy e o árbitro foi o Gaciba.

Ficou bom? Ficou péssima? Ta bom! Regular!

O FANTASMA DA LARANJA






Os amantes do futebol são gratos ao Amsterdamsche Football Club Ajax. Quem viu Cruyff jogar ou leu sobre o Carrossel Holandês não consegue esquecer do que foi o Ajax.
Fundado em 1900, o grande holandês se tornou conhecido em todo o mundo nos anos 70. Com Cruyff e Neeskens o Ajax conquistou a Liga dos Campeões de 71, 72 e 73. Com a força e a técnica daquele time o mundo conheceu a “Laranja Mecânica”, apelido da seleção holandesa que foi vice do mundo em 74 e 78. O tempo foi implacável para o Ajax. As faltas de renovação e de uma administração visionária ofuscaram o intenso brilho do clube holandês. O clube não disputa a Liga dos Campeões e tem imensas dificuldades de montar um elenco competitivo. Na disputa do campeonato holandês o Ajax até que responde bem, entretanto, há muito que o time não se encontra nos torneios internacionais.
O próprio futebol holandês tem passado dificuldades. Os fantasmas da técnica fora do comum e da arrumação tática do carrossel assustam e inibem jogadores medianos. Além disso, a Holanda sofre com a saída de jovens promessas e vê, a cada dia, seus futuros craques saírem cedo para a Inglaterra, Espanha ou Itália.
O desafio de lá é parecido com o de cá. A diferença é que o Brasil é quase um continente que respira futebol todos os dias. A desorganização aqui é maior. A fuga de jogadores é imensa, no entanto, o contexto e a tradição estão do nosso lado. Para os da Laranja Mecânica a tarefa é mais árdua. Conviver com a fama de que dão espetáculo e não ganham nada pode gerar frustração e ver dia após dias jogadores medianos atuando em outros mercados traz a certeza de que é preciso repensar o modelo.
A rigidez do modo que se vive futebol na Holanda deve ser destacada. Vários clubes colocam no estatuto o modo tático a ser seguido. A própria seleção, jogando bem ou mal, sofre com as comparações com o mundo de sonhos de Cruyff e companhia, na década de 70. É difícil, contudo, é inegável. Aquela laranja já morreu! É necessário plantar outra, talvez, bem diferente da antiga. Conviver com o sucesso do passado é bom, mas, transformar o sucesso em fantasma é um terror!

EM BUSCA DO CULPADO

A derrota do Cruzeiro para o Náutico serviu de munição pesada para os perseguidores do técnico Adilson Batista. Ele, que nunca foi unanimidade, é considerado o culpado de tudo. Choveu? Culpa do Adilson. Fez sol? Olha o Adilson errando de novo. Não acho certo e nem coerente apontar o treinador como o grande culpado. Concordo que ele também tem erros. Entretanto, vale uma reflexão: se ele fosse tão fraco assim o Cruzeiro estaria na posição em que está? O elenco do Cruzeiro é tão qualificado assim?
Relembrando, ou, contextualizando – O técnico escolhido para o ano de 2008 foi Mano Menezes. A diretoria chegou a almoçar com ele e fazer a proposta. No jantar, o Corinthians levou. Com a frustração de negativa do atual técnico campeão da série B, Adilson foi o escolhido. Chegou tendo de provar que tinha condições de fazer um bom trabalho. Uma característica ficou evidente, Adilson é muito trabalhador. Foi morar na Toca e dava conta de tudo o que ocorria. As indicações do treinador eram sempre questionadas. O discreto e eficiente Marquinhos Paraná sofreu. Boa parte da imprensa pedia Apodi e a torcida chegou a vaiar Marquinhos improvisado no setor da direita. O treinador tentava explicar que Paraná era o jogador de confiança, que jogava em qualquer setor. Pouco adiantou, Marquinhos teve que provar em campo. Contra tudo e contra todos, a favor do treinador e do Cruzeiro.
O Mineiro foi conquistado com folga. A Libertadores não! O Cruzeiro caiu contra o Boca. Acho que faltou tato no episódio Leandro Domingues. No entanto, o grande culpado foi o jogador, que saiu e não conseguiu jogar no Vitória. Marcelo Moreno foi embora e ninguém se lembra o que ele rendeu financeiramente ao clube. Rendeu por ter sido escalado pelo treinador. Não custa lembrar que ano passado Marcelo jogou muito pouco, praticamente não era escalado. Poucos vão se lembrar também que Adilson percebeu que o time deveria aproveitar a versatilidade de Charles, Ramires, Fabrício e Paraná. Ano passado o time penou com dois volantes e dois meias, quase não se classificou para a Libertadores. O treinador usou e abusou de colocar três volantes para jogar, o jogo fluiu e se acertou.
No jogo dos Aflitos entendo que o time teria que surpreender o Náutico. Sufocar nos minutos iniciais, marcar a saída de bola. Não! O Cruzeiro não conseguiu. Entre falhas individuais e coletivas o time azul tomou cinco e deu adeus ao título. Reflita: Jonathan é craque? Thiago Heleno? Fernandinho? Léo Fortunato? Marquinhos Paraná? Henrique? Camilo é irresistível? E os reservas? Gerson Magrão, Weldon, Reinaldo Alagoano, Wanderlei, Carlinhos, Bruno, Jajá. Amigo, o elenco é fraco! Adilson tirou leite de pedra. Fez e tem feito um bom trabalho. Não citei Ramires, Wagner, Thiago Ribeiro, Fábio e Guilherme. Excetuando o goleiro todos são muito jovens. Pergunta para não ser respondida: quanto seria o placar do jogo entre Cruzeiro de 2003 x Cruzeiro de hoje. A culpa é do Adilson? Não seria mais honesto falar que a culpa é da direção do clube?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

PÕE NA CONTA




Lembrar do atual momento político e administrativo do Galo só valoriza, ainda mais, a bela vitória no Rio. Não dá para jogar para debaixo do tapete a questão do salário atrasado, a falta de presidente e tudo mais. As situações negativas, sem dúvida, serviram para mobilizar o time ainda mais. O crédito deve ser dado ao comando técnico - Marcelo Oliveira e André Figueiredo. Técnico e auxiliar. Os dois conhecem cada centímetro da Cidade do Galo e conhecem cada jogador que por ali joga. Sabem em quem confiar e conhecem o momento do Galo. Renan Oliveira jogou demais. Serginho idem. Márcio Araújo com nobreza no meio de campo e a defesa firme, Castillo desencantou, tudo apenas compõem cenário. Marcelo tem sido o grande responsável por alguns suspiros de bom futebol. Além do mais, o treinador está valorizando o elenco. Quanto valia o Renan Oliveira? Quanto vale hoje? E o Serginho? Marcelo resgatou Leandro Almeida, e ele, vale quanto?
Taticamente o time quebrou uma tradição alvinegra – usou linha de quatro. Sheslon quase não passou do meio de campo e, ao lado dele estavam Leandro Almeida, Marcos e César Prates. O time estava acertado e Serginho marcava e saía com facilidade. Os volantes, aliás, têm sido a cara do time. O Galo jogou muito tempo em velocidade e hoje joga com condução de bola através dos volantes. Serginho, Márcio Araújo e Elton apresentam qualidade para sair para o jogo. A partir de um jogo já podemos falar que o Galo está bem? Não! O time é jovem e não tem a maturidade necessária para afirmarmos nada.