quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A PULGA VENCEU

Lionel Messi era apenas um rapaz latino-americano. E mais, ele seria apenas um minúsculo rapaz latino-americano. O talento na prática do futebol mudou a história de vida dele. É muito simplista constatar as qualidades dele como um astro do futebol. Melhor é tentar compreender quais caminhos o futebol transformou.
Não limite seu pensamento ao mau humor e a resignação. Entre na história dele. O muito pequeno rapaz argentino de 14 anos convivia com problemas nos hormônios de crescimento e passava a enfrentar outros desafios. A família não poderia mais pagar o tratamento. Lá, como cá, o sofrimento de nossos filhos é deixado de lado pelas autoridades e o governo não poderia bancar o tratamento. Poderíamos aqui começar um discurso revolucionário... não começaremos! Quem não faria de tudo para aliviar o sofrimento de um jovem talentoso condenado a parar de crescer , e, conseqüentemente, parar de brilhar como um promissor jogador de futebol. A família dele deu ouvidos aos empresários do FC Barcelona. As promessas eram muitas e a maior delas era a de que o pequeno Pulga - apelido de infância por causa do tamanho- teria o tratamento adequado custeado pelo clube. A família, então, passou a ajudar a escrever uma página de muito talento no futebol mundial.
Messi cresceu e cada centímetro dele vale ouro. O talento cresce a cada dia e a legião de admiradores também. No jogo pelas eliminatórias da Copa do Mundo, no Mineirão, a torcida brasileira prestou uma inesperada homenagem. Quando o pequeno Pulga saiu de campo o que se viu foi uma rivalidade histórica dar lugar aos aplausos e gritos de “Messi, Messi”.
Poucos jogadores no futebol mundial têm a mesma intimidade com a bola que Messi mostra ter. Ele brinca com a redonda. Ela aceita o seu chamado. Lionel Messi tem uma jogada fatal. Ele, canhoto de tudo, pega a bola pela direita, e, conduzindo com a perna esquerda, faz uma avançada na diagonal até ser bloqueado com falta, ou, até o gol.
No jogo das Olimpíadas o que se viu foi um sistema de marcação brasileiro preocupado com o talento do craque argentino. Mesmo assim não deu. Afinal de contas ficar livre de uma pulga não é fácil. Agora todos nós sabemos o que a maior Pulga pode fazer. Fomos vítimas do talento.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Um Falcão que brilha na Cidade do Galo




Nada mais que um evento. Apenas uma cobertura, ou, uma pauta interessante.

Participar da semana da seleção brasileira de futebol nas eliminatórias para a Copa do Mundo deveria ser encarado com naturalidade.

Estavam todos ali. Com camisa amarela e tudo mais. Cercados por câmeras, fones, fios e ansiedade - jogadores e jornalistas faziam um aquecimento do verdadeiro e grande jogo contra os rivais argentinos. Perguntas certeiras respondidas com sutileza. Questionamentos ásperos não respondidos. Adjetivações pouco inocentes acompanhadas de agradecimentos pouco ingênuos. A notícia saía dos poros. Estava em todos os lados. Sendo feita, produzida, batalhada. Tudo o que fosse visto e ouvido (e até o que não era visto e nem ouvido) poderia virar notícia. Poderia dar primeira página.



Três dias de Brasil em Belo Horizonte



Vários técnicos e jornalistas chegaram ainda pela madrugada. A Cidade do Galo, concentração do Clube Atlético Mineiro parecia estar preparada para receber a seleção brasileira e tudo o que gira em torno dela. Algumas emissoras de televisão armaram tendas para transmissão dos programas ao vivo. A Polícia Militar se fazia presente com 200 homens. O circo estava montado.



Coletiva concorrida



No início da tarde, o técnico Dunga reuniu a imprensa para uma acotovelada coletiva. Pouca coisa, além de um clima pouco amistoso, pode ser captado das palavras do treinador. A expectativa se voltou para o treino da tarde. Os juniores do Atlético, que já haviam treinado pela manhã, serviriam de sparring para os reservas da seleção. Adriano, Pato, Anderson e outros consagrados jogadores enfrentariam meninos de 17 ou 18 anos. Currículum deles? Não! Ninguém sabia falar nada sobre os garotos. Apenas funcionários do Atlético destacavam Danilo, Rafael, Leandro e Chiquinho como jogadores bons para um futuro próximo. O que não foi visto por ninguém foi um certo brilho nos olhos. Característica daqueles que enfrentam a vida e que desejam muito dela.



Reservas x Juniores



A seleção brasileira pôs em campo um time reserva e milionário. Repleto de jogadores acostumados às disputas pela Europa e pelo resto do mundo. Do outro lado apenas 11 coadjuvantes. Até que aproveitando uma cobrança de escanteio e uma bola ajeitada o chute dentro da pequena área, o baiano que mora há cinco anos em Belo Horizonte, Leandro Falcão bateu de perna esquerda e fez aquele seria o único gol do treinamento.



O que é que o Leandro Falcão tem



Já estava excitante jogar contra a seleção brasileira. Marcar Adriano e Pato era quase um sonho. Parar o ataque perigoso e ainda marcar o único gol contra a seleção brasileira para um batalhão de jornalistas simplesmente tirou o fôlego do rapaz. Cercado, logo após o jogo-treino, Leandro Falcão foi cumprimentado pelos colegas de time e pelos adversários Anderson, Pato e Adriano. A felicidade era tanta que ao ser perguntado pelos jornalistas o que representava aquele momento para ele, Leandro falava palavras quase inaudíveis. Palavras que saíam do fundo da alma de um jovem que naquele dia estava feliz.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Villa Nova: 100 anos de glória em vermelho e branco

Pesquisa. Muita pesquisa. Trabalho. Muito trabalho.
O jornalista Wagner Augusto Álvares de Freitas lançou hoje, 14 de abril, o livro sobre a história do centenário Villa Nova Atlético Clube. Com o lançamento do livro foi dado o pontapé inicial para as comemorações do centésimo aniversário do Leão.
Estive no lançamento do livro. É óbvio que os torcedores e a diretoria gostariam de disputar a fase semifinal do estadual, no entanto, não percebi nenhum clima de choro, e ou, de lamentações. Muitas lembranças de um passado brilhante, forte, vencedor em uma atmosfera de futebol mais romântica que a dos nossos dias. Achei muito interessante o que disse o autor do livro. Wagner destacou que o Villa comemora com muitas dificuldades o aniversário, entretanto, tem motivos para comemorar. É verdade! Dê uma passadinha em Nova Lima, vá a qualquer hora do dia. Você vai observar que de dez camisas de clubes de futebol, pelo menos seis são do Villa. E mais! O Villa faz parte da vida da comunidade. Tem categoria de base e até hoje se mostrou muito digno.
Parabéns!
Sucesso. Muito sucesso.