sexta-feira, 21 de maio de 2010

Agora estou em São Paulo

Amigos leitores,

Foi tudo muito corrido, mas aconteceu.
Aceitei uma proposta da Rádio CBN São Paulo e saí de BH.
O início tem sido complicado, mas chego lá.
Nasci em São Paulo e logo cedo fui para BH.
Serei sempre um paulista-mineiro.
Amo minhas montanhas e minhas raízes.
Precisava atravessar as montanhas.
Conto sempre com vocês.
Serei sempre o mesmo.
Não sou pautado por ninguém para falar isso ou aquilo.
Tenho meus conceitos e minha maneira de trabalhar.
Trair meu estilo é trair minha história.

A televisão está ligada, mas meus olhos ficam perdidos no espelho.
Olhando para mim mesmo, me pego tentando entender para explicar.
Além da tv e do espelho, só a cama e um rádio relógio no novo quarto.
Desço um pequeno degrau e em oito passos abro a porta.
O tamanho do flat é inversamente proporcional ao futuro que se avizinha.
Nem sei quanto tempo olharei do espelho para a tv.
Mas imagino que meus passos vão tomar outro rumo, talvez outra dimensão.
No espelho lembro de um menino que aprendeu a conviver com a solidão.
Um menino que oferecia sorriso e lealdade, só queria papo, atenção e bola.
Voltava para casa em busca da mãe e tudo o que ela representava: tudo.
Os sonhos passavam pela bola. Sonhava com ela, dormia com ela, pensava só nela.
Por estar sempre muito só, aprendi a pensar.
Pensar e conversar. Como pensar e conversar me ajudaram.
O fim do mês me obrigou a trabalhar cedo.
Com tergal azul claro passei a subir e descer escadas.
Um documento era deixado ali e outro lá. Aqui não existia.
As escadas ajudavam a pagar as contas.
Minha mãe dava claros sinais de que não era eterna.
Deus ocupou um espaço vital.
Entre loucuras e delícias a paz buscava espaço. Chegou.
Deixei as escadas e encarei máquinas de calcular. Carimbava muito rápido.
Entre um número de banco e outro, os sonhos com a bola mudavam a direção.
Não daria mais para correr com ela, mais sábio seria pensar e conversar sobre ela.
Após escadas, carimbos, máquinas, vidas e bulas o momento passava a ser de fios e sons.
Era bom escrever, ler, ouvir, ver mais a bola em minha vida.
Colocar teoria nos pensamentos se tornou obsessão.
Deus, que sempre esteve presente, fez o milagre de coincidir os fatos e os sentimentos.
Após desistências, questionamentos e retornos, formei e a porta se abriu.
Atlético, Cruzeiro e América foram ótimas escolas. Guardarei sempre o carinho por eles e por outros campos e times mineiros.
As montanhas de Minas serão sempre o contorno do meu quadro.
Precisava esticar meu olhar. Precisava expandir meus sonhos.
Nunca quis abandonar meu canto, talvez agora entenda que meu canto agora é outro.
Voltei para onde o mundo me recebeu e espero tornar o furacão e a velocidade mais dóceis com meu olhar, meu pensar e meu conversar.
Não pude despedir dos amigos, mas eles são como a bola.
Guardo todos comigo, em todos os dias.
Do espelho vejo lágrimas, mas percebo que o mundo se oferece.
Com Deus, com "jeitim", com pão de queijo, com olhar e com vocês...

9 comentários:

Anônimo disse...

Sensacional é a primeira palavra que me vem...emociona a gente!
Fico por aqui...abraço grande pra ti,amigo!
Renato Zanata 'La Bruja'

Marina Oliveira disse...

Olá, Mário.

Como já disse, repito e com certeza dando voz a tantas outras pessoas que admiram seu trabalho: vc fará falta em Minas, perdemos um grande profissional para o Brasil. Por sua história de vida percebe-se o quanto vc se dedicou e sonhou em se tornar cada vez melhor. Além de comentarista de futebol é poeta! Muito bom o seu texto! Mexeu comigo, assim como você... E mexeu muito... Coração até apertou ao ler sua última postagem mas seria egoísmo não sentir alegria por vc. Mais uma vez: sorte em São Paulo e guarde sempre Minas Gerais, BH, Nova Lima no seu coração.

Beijo.

Fernando Martins disse...

É por essa e por outras que te considero uma referência, meu caro. Voe alto!

Mateus disse...

Olha Mário eu escuto o futebol CBN faz um bom tempo já e voce ja esta comentando muito bem eu tenho certeza que voce se saira muito bem em São Paulo.Òtimo trabalho,abraço.

REGINALDO disse...

Grande Marra!!!

Tinha certeza que o teu futuro seria brilhante!

Abraços e bem vindo a Sampa

Custodio disse...

Poxa Mario, belas palavras, me fez recordar da infância, de alguns desafios enfrentados e superados.

Mas agora tu não é o mais ponderado de MG. Perdeu o lugar. Mas será o mais de SP e, brevemente, do Brasil, isso na visão dos demais, porque os que te acompanham já sabem disso.

Arrebente em SAMPA também!

Sucesso meu velho,

Marcelo Bechler disse...

É de cortar saber que não vamos encontra-lo sempre solicito naquela cabine à direita no Mineirão.

É de fazer sorrir saber que realizações, conquistas e prosperidade são questões de tempo. Agora pouco tempo para um profissional como você.

É de me sentir verdadeiramente orgulhoso por me considerar amigo de um ser humano como você: que não se vê todo dia, não se encontra por aí.

Como disse o Fernando: voe alto, sonhe, realize e sempre que quiser voltar, estaremos aqui.

Sucesso!

Claudinei Souza disse...

Você sempre deixará saudade por onde quer que passe, Marra.
Foi muito bom o convívio com você.
Desejo-lhe muito sucesso.
You are the champion!!!!!

Renato disse...

Desde que ti conheço sabia que você iria longe atravessaria as montanhas de Minas Gerais. uma abraço do seu amigo