quarta-feira, 10 de março de 2010

O extra está muito intra, prefiro a bola

Não me sinto à vontade para falar de alguns assuntos que ficam na periferia da bola e que fazem parte do mundo do futebol.
Falar de contusões não é fácil, mas sai. De um tempo para cá a pubalgia entrou em campo e, sem ela, Kléber ajudou a classificar o Cruzeiro para a Libertadores. A mesma pubalgia pode ser a vilã para Kaká, no Real.
Joelho também é problema, se a lesão for no LCA fica mais complicado ainda. LCA é Ligamento Cruzado Anterior e representa uma cirurgia curta, no entanto, de recuperação longa. O atleta pode voltar entre 6 e 9 meses. Mas existem outros ligamentos e às vezes as lesões são tratadas em um tratamento conservador, ou seja, sem a necessidade da cirurgia. O assunto não agrada, mas um bom médico explica direitinho e o assunto pode ser dado como encerrado.
Se tornou importante também saber da economia do futebol. Mercado, valorização, ações de clubes, patrocinadores, parceiros, direitos econômicos são palavras frequentes nos noticiários dos clubes. Se o assunto complicar basta um pouquinho de compreensão e paciência que dá pra entender.
Entretanto, quando a bola dá lugar aos tribunais a coisa se complica muito. Os motivos são simples de entender, as questões não. Joelho é joelho, lesão é lesão e parceiro é parceiro. Só que regulamento requer interpretações, artigos podem ferir outros artigos.
O que dizer de quem fala que o episódio da chuva de Teófilo Otoni seria resolvido se fosse cumprido o regulamento, que fala que o jogo deve ser realizado no dia seguinte ao
da paralisação? Deve-se dizer que existe um outro regulamento, que diz que os jogadores não podem disputar partidas oficiais em intervalos menores que 66 horas e o Galo tinha jogo marcado para pouco mais de 50 horas depois.
Entre um TJD e outro, entre uma liminar e outra o que é possível perceber é que a Federação Mineira de Futebol não tem mostrado zelo na direção e organização do futebol de Minas. Sobram brechas e falta a boa condução.
Ah! Que bom seria se apenas os jogadores e a bola decidissem as partidas...

5 comentários:

Enio Casella disse...

"artigos ferem outros artigos". Como advogado, achei fantástica a colocação, pouca gente traduz bem como você.

Chama-se "exegese sistemática"... as leis tem de ser interpretadas no seu conjunto, e não em artigos separados.

Agora... concordo com você: prefiro muito mais a bola no pé do que o "juridiquês".

Abraço.

Enio Casella
BH

Blog do Marra disse...

Obrigado, Dr. Enio!
Que bom que tenho você aqui para ajudar a decifrar os meandros dos regulamentos.
Abraço,
Mário Marra

Igor sausmikat disse...

Marra,temos que ser sinceros passou a época onde tudo era resolvido na bola e com os jogadores,hoje é a grana que se fala mais alto,sem contar nos desvios,omissões e faltas de organizações feitas por várias entidades.É a realidade que se for tapada aí é mais uma maneira de ser omisso a tudo.
Abraço Marra!
Igor
meu blog de esportes: http://igoresportes.blogspot.com/

Anônimo disse...

Tenho lido muitas coisas em blogs esportivos neste ultimos tempos, mas faz temo que nao leio algo tão simples, porem tão complexo. Voce dissecou como poucos o tema, nada mais a acrescenta, parabens pelo texto e pela sua postura como comentarista esportivo

Claudinei Souza disse...

Como nos falou o Dr. Enio Casella, "artigos ferem outros artigos".
Uma fórmula simples para a solução deste que sempre foi um dos campeonatos mais desorganizados do país, é levar em consideração todas as possibilidades de recursos extra-campos.
Explico-me: "sabendo-se" que um jogador não pode atuar em uma partida em menos de 66 horas de intervalo entre uma e outra - ordem da Fifa salvo não me engano -, porque então cria-se um regulamento regional discondizente com o que diz o órgão máximo do futebol? Porque oferecer brechas?
Sobre este artigo que, ignorantemente mal escrito, decreta "caso uma partida seja encerrada antes de transcorrido o tempo correto para a sua duração, os clubes participantes devam realizá-la no dia seguinte", - perdoe-me aos organizadores -, mas faltaram-lhes competência e a incompleta compreensão das regras superiores da entidade máxima que rege a prática do futebol.
Aí vem os interesses excusos: o investimento gasto pelo patrocinador, a desvalorização de um atleta caso ele se machuque, os interesses dos clubes que disputam duas competições ao mesmo tempo (...) tudo baseia-se na perda econômica do futebol.
Ninguém se lembra do estatuto do torcedor, ou melhor, ninguém se lembra dos direitos do torcedor!
Faltou, sim, competência e conhecimento! Faltou organização para elaborar um conjunto de normas que impossibilitassem tais absurdos.
Faltou uma postura mais esclarecida da FMF sobre os motivos que possibilitaram o prosseguimento da partida durante aquele mini dilúvio e basear-se não na ignorância de seu próprio regulamento, visto de forma tupiniquim e não abrangente ao contexto do futebol organizado pelas grandes federações.
Deveriam buscar informações corretas baseadas na lei.
Em latim, "dura lex, sed lex!" (A lei é dura, mas é a lei!
Um abraço, Marra!