domingo, 27 de dezembro de 2009

Aprendizado

Ficar o sábado parado e sozinho foi muito proveitoso. Vi futebol e relaxei vendo. Entretanto, foi dando umas olhadas em alguns programas que parei um pouco para pensar.
O "Jogos para Sempre", com o Luiz Carlos Jr. entrevistando o ex-zagueiro do Fluminense, Edinho, me surpreendeu. Edinho colocou a mão em alguns fantasmas que assombram o mundo do futebol. O mito de que jogador é frio e não sente a torcida e de que tabu não exerce influência no desempenho dos jogadores de futebol. Dois conceitos que rondam os debates de comentaristas, vistos em linhas e mais linhas nas colunas e pouco tratados com os principais personagens envolvidos: os jogadores.
No bate papo com Luiz Carlos Jr, Edinho fala que o jogo entre Fluminense e Vasco estava controlado, até que o lateral Eduardo mexeu com a torcida adversária. A reação da torcida do Vasco foi imediata e, em campo, gerou um reflexo de maior empenho e disputa. Resultado? O Vasco ousou mais e o jogo que estava calmo se transformou em uma batalha. O Fluminense até conseguiu a classificação, entretanto, com muito mais sufoco que o habitual.
Citei a palavra habitual, exatamente pensando no que ocorria entre as duas equipes naquela época. O Vasco não conseguia bater o Flu de jeito nenhum. Mesmo sendo considerado por muitos até melhor, ou em melhor momento, o resultado nunca vinha. Edinho novamente toca na ferida e quebra o mito de que jogador profissional não liga para mitos, tabus e algo parecido. Ele falou claramente que sabia que o Vasco estava mais forte, mas os próprios jogadores do Vasco não acreditavam na vitória sobre o Flu. Citou mais: falou que todos evitavam tocar no assunto já que era melhor deixar como estava. O Vasco com medo e o Flu vencendo.
Muitas vezes o que conseguimos esquecer é que antes de serem super atletas ou monstros sagrados, os jogadores de futebol são pessoas. São seres até incrivelmente frágeis e que vivem seus medos e traumas expostos todos os finais de semana. Não existe verdade pronta no futebol. Existem pessoas com diferentes sentimentos e medos.

Um comentário:

REGINALDO disse...

Assisti também ao programa e foi muito bom rever os lances desse jogaço: Geovani comandava tudo e uma transferência desastrada pro Bolonha (depois outros times B) o tiraram da Copa de 90 (o craque que faltou ao meio campo capenga de Lazaroni- haja vista o que fez em Seul em 88).
O jogo teve dois golaços: o de Bismarck e o de Washington.

O regulamento era ridículo. O Vasco fez uns 20 pontos mais que o Flu na fase inicial (primeiro e oitavo) e ainda teve que jogar uma prorrogação, após dois resultados iguais. Outra coisa ridícula foi a escalação do Wright pro apito (aliás, escalá-lo em qualquer jogo do Flu, após o famoso Flu x Bangu de 85).

A década de 90 viu o tal tabu ir pro espaço e o Machao da Gama passou de passagem nos confrontos diretos contra o Flu.

Uma coisa interessante era o número de bons jogadores em campo (nos dois lados). Futebol carioca era muito rico, na época e esse foi um dos jogos mais emocionantes entre esses dois clubes.

Que os bons tempos voltem ao futebol carioca...